A comunicação é uma peça fundamental no ambiente de trabalho, influenciando diretamente a produtividade, o clima organizacional e as relações interpessoais. Neste contexto, a Comunicação Não Violenta (CNV) surge como uma abordagem poderosa para promover a empatia, a compreensão e a resolução de conflitos de forma saudável.

No ambiente corporativo, a aplicação dos princípios da CNV pode trazer benefícios significativos, tanto para os colaboradores quanto para a empresa como um todo, ainda mais nessa era da comunicação digital e das interações rápidas, em que a habilidade de comunicação de forma não violenta torna-se cada vez mais essencial.

Ao priorizar a escuta ativa, a expressão honesta de sentimentos e necessidades, e a busca por soluções que atendam a todos os envolvidos, a CNV cria um espaço de diálogo construtivo e empático.

Neste post, exploraremos como a Comunicação Não Violenta pode ser uma ferramenta poderosa para melhorar a comunicação e as relações na empresa, promovendo um ambiente mais colaborativo, inclusivo e saudável para todos os colaboradores. Acompanhe e descubra como transformar a cultura organizacional por meio da CNV.

O que é comunicação não violenta?

A Comunicação Não Violenta (CNV) utiliza um conjunto de habilidades de comunicação para fortalecer as conexões humanas com base na empatia e na sensibilidade.

Essa estratégia abrange a comunicação verbal (escrita ou falada) e não verbal (gestos, expressões faciais ou corporais, imagens ou códigos).

Na prática, a comunicação não violenta acontece quando o emissor reavalia suas palavras e escuta atentamente. Em vez de responder automaticamente, ele considera cuidadosamente o significado e os desejos expressos pela outra pessoa.

Assim, ao invés de responder intempestivamente, o indivíduo procura se expressar com clareza, empatia, de forma respeitosa.

Exercitar a CNV permite compreender o mundo ao redor sob a ótica da outra pessoa, possibilitando a compreensão das razões por trás de suas atitudes.

No entanto, é fundamental destacar que a comunicação não violenta defende que o objetivo de toda forma de comunicação humana é demonstrar necessidades universais. Sendo assim, ela se apresenta em 4 pilares, os quais veremos ao longo do conteúdo. São esses fatores que orientam a aplicação da CNV em conjunto com as palavras que escolhemos durante o diálogo com outras pessoas.

Portanto, essa forma de comunicação representa uma maneira de se expressar que visa fortalecer os vínculos e manter relacionamentos saudáveis.

Qual a origem da CNV?

A Comunicação Não Violenta é uma abordagem desenvolvida pelo psicólogo Marshall Rosenberg na década de 1960, fruto de suas pesquisas. Essa metodologia visa promover uma forma mais consciente de fala e escuta, incentivando a observação dos comportamentos para que o diálogo ocorra com empatia e respeito.

É comum encontrar essa abordagem também conhecida como “comunicação empática” ou “linguagem não violenta”.

Rosenberg criou o termo “Comunicação Não Violenta” em um contexto histórico marcado pela segregação racial nos Estados Unidos, onde a necessidade de uma convivência pacífica e a integração entre diferentes grupos era urgente.

Com isso, a CNV foi adotada como estratégia para promover esses objetivos, com foco na capacidade de ouvir sem preconceitos. Seus estudos tiveram resultados positivos na mediação de conflitos, especialmente em ambientes escolares e comunitários.

Além de Rosenberg, o psicólogo Carl Rogers foi uma figura influente no desenvolvimento da CNV, atuando como mentor intelectual de Rosenberg. Eles trabalharam juntos e fortaleceram os estudos resultando na teoria da Comunicação Não Violenta.

A dedicação desses estudiosos na mediação de conflitos resultou na criação do livro “Comunicação Não-Violenta: técnicas para aprimorar relacionamentos pessoais e profissionais“, publicado pela primeira vez em 1999. Além disso, o trabalho de disseminação da CNV motivou a fundação do Center for Nonviolent Communication (CNVC), proporcionando uma base para a prática e o ensino dessa abordagem.

No Brasil, o Instituto CNV desempenha um papel importante na promoção da CNV, oferecendo cursos, encontros gratuitos, projetos sociais e conteúdos para facilitar o acesso à prática dessa abordagem.

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Qual o propósito da comunicação não violenta?

A Comunicação Não Violenta possui uma ampla gama de objetivos, propósitos e aplicações. Para empregar esse método, é simplesmente necessário adaptá-lo a um contexto específico.

A seguir, apresentamos uma lista dos principais propósitos da comunicação não violenta:

  • Estimular o diálogo aberto;
  • Incentivar a empatia;
  • Mediar conflitos;
  • Resolver conflitos de forma pacífica;
  • Gerenciar equipes de forma otimizada;
  • Criar ambientes acolhedores;
  • Diminuir agressões verbais;
  • Manter relacionamentos saudáveis;
  • Fortalecer uma cultura de parceria e colaboração;
  • Humanizar o atendimento.

Quais são os pilares da comunicação não violenta?

No livro “Comunicação não violenta: técnicas para aprimorar relacionamentos pessoais e profissionais”, Marshall Rosenberg, que citamos no início desse conteúdo, define quatro pilares ou aspectos fundamentais de sua abordagem. Abaixo, apresentamos detalhes sobre cada um deles:

Pilar da consciência — observação

Antes de aplicar a comunicação não violenta, é essencial olhar para si mesmo sem julgamentos e reconhecer seus próprios pontos fortes e fracos. Isso requer autoconhecimento e avaliação honesta da forma como nos comunicamos conosco e com os outros, orientados por princípios como colaboração, compaixão, autenticidade e coragem.

Pilar da linguagem — sentimentos

A linguagem, seja verbal ou não verbal, desempenha um papel crucial na conexão ou desconexão entre as pessoas e na resolução de conflitos. Compreender essa importância é fundamental para praticar a CNV, pois a linguagem é a base de toda comunicação, facilitando a transmissão de mensagens e a troca de informações.

Por isso, é  essencial pensar antes de falar e considerar o impacto de nossas palavras nas  pessoas que estão nos ouvindo.

Pilar da comunicação — necessidades

Após compreender o poder da linguagem, é necessário aprender a pedir e ouvir. Isso envolve refletir se estamos realmente ouvindo ou apenas esperando nossa vez de falar e persuadir os outros a concordarem conosco.

Reconhecer que opiniões diferentes das nossas são normais e não precisam resultar em conflito é fundamental. Respeitar as opiniões alheias é o primeiro passo para encontrar soluções eficazes.

Pilar da influência — pedido

A última etapa envolve aceitar que nem tudo está sob nosso controle e compartilhar o poder com os outros. Muitos conflitos persistem porque as partes envolvidas desejam manter o controle exclusivamente para si mesmas, ou seja, querem sempre dominar a situação e ter razão.

Ao aprender a compartilhar o controle, cada pessoa pode assumir sua responsabilidade e colaborar na busca por soluções viáveis junto aos outros.

Quais os benefícios da comunicação não violenta?

Manter uma comunicação eficaz pode ser desafiador, especialmente no ambiente de trabalho, seja ele físico ou remoto. O estresse no trabalho pode surgir de interações com expressões agressivas entre colegas de trabalho ou clientes, o que pode causar conflitos e mal-entendidos.

No entanto, poucas pessoas estão cientes de que o uso da comunicação não violenta no ambiente de trabalho pode reduzir ou até mesmo evitar esse estresse, promovendo maior proximidade entre as pessoas e uma melhor compreensão do que está sendo dito.

Existem várias vantagens em utilizar a CNV no ambiente de trabalho, veja a seguir:

  • Motiva a empatia: Com indivíduos mais empáticos na empresa, o ambiente se torna mais harmonioso, pois a CNV promove uma linguagem verbal ou escrita mais aberta, sincera e livre de preconceitos e julgamentos;
  • Cultiva relacionamentos saudáveis: Ao focar em uma comunicação mais precisa e concisa, a CNV contribui para o desenvolvimento de relacionamentos saudáveis no ambiente de trabalho, afastando a agressividade;
  • Encoraja atitudes positivas: As pessoas que utilizam a CNV têm a capacidade de aceitar as falhas dos outros sem criticá-las, promovendo um ambiente de trabalho mais colaborativo e respeitoso;
  • Facilita a resolução de conflitos: Em um ambiente de trabalho com diferentes personalidades, a comunicação não violenta é essencial para evitar mal-entendidos e suposições, garantindo uma comunicação clara e objetiva;
  • Promove a honestidade: A CNV encoraja a honestidade consigo mesmo e com os outros, permitindo que as pessoas recebam feedbacks sem julgamentos, o que cria um ambiente onde a honestidade é valorizada e incentivada.

Como promover a comunicação não violenta na sua empresa?

Depois de compreender os pilares da CNV e diferentes formas de aplicá-la em situações do dia a dia, é crucial saber como praticar essa técnica.

Falamos em “prática” porque a comunicação empática precisa ser cultivada diariamente em todos os tipos de relacionamentos.

Aqui estão algumas dicas para exercitar a Comunicação Não Violenta:

  • Comunique-se com todos sem fazer prejulgamentos ou impor definições de “certo” ou “errado”;
  • Evite julgar as ações dos outros com base em sua própria perspectiva;
  • Abstenha-se de comparações entre pessoas, incluindo você mesmo e aqueles ao seu redor, com outras pessoas;
  • Evite usar linguagem de acusação, pois isso pode desencadear reações defensivas e prejudicar a comunicação;
  • Expresse suas necessidades com tranquilidade e clareza;
  • Delegue tarefas utilizando estratégias que facilitem a comunicação não violenta, evitando exigências que possas parecer ameaçadoras para quem ouve;
  • Questiona rótulos que você ou outros possam receber, buscando entender a complexidade das pessoas além das categorias;
  • Ao enfrentar um conflito ou mediar uma situação conflituosa, procure por pontos em comum entre você e as outras partes envolvidas;
  • Pratique a empatia, colocando-se no lugar do outro sempre que possível;
  • Compartilhe suas vulnerabilidades quando se sentir confortável, pois isso pode aproximar você das outras pessoas ao revelar sua humanidade comum;
  • Responda a insultos ou ataques com calma e empatia, evitando entrar em conflitos ou adotar um tom hostil.

Exemplos de CNV no trabalho

É essencial reconhecer que problemas complexos geralmente exigem abordagens coletivas, em vez de soluções individuais. Portanto, cultive a confiança na equipe, permitindo que todos expressem preocupações de forma respeitosa. A partir desse ambiente, podem-se propor abordagens mais sustentáveis para todos.

Para uma compreensão prática de como aplicar a comunicação não violenta, veja alguns exemplos a seguir:

Exemplo de comunicação violenta no trabalho:

“Você precisa terminar esse relatório até o final do dia ou terá consequências graves!”

Exemplo de comunicação não violenta no trabalho:

“Olá, gostaria de discutir o prazo para a conclusão do relatório. Precisamos garantir que ele esteja pronto até o final do dia para cumprirmos nossa meta. Podemos trabalhar juntos para resolver eventuais obstáculos que possam surgir?”

Conseguiu ver a diferença entre os exemplos acima? Perceba como essa forma de comunicação ilustra claramente os quatro princípios fundamentais da metodologia. A Comunicação Não Violenta (CNV) busca fortalecer conexões em vez de enfraquecê-las.

Portanto, é essencial que o valor das relações esteja explicitamente reconhecido entre as linhas.

Uma escuta respeitosa exige abertura e uma genuína disposição para compreender o que é essencial para promover a convivência, a produtividade e a inovação conjunta no dia a dia e nos processos de trabalho.

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