Você já ouviu falar na Síndrome de Burnout? Muitos não conhecem esse termo, mas há quem já viveu – ou mesmo está vivendo – ou conhece alguém que esteja enfrentando um esgotamento no trabalho. 

 Em um mundo cada vez mais competitivo e exigente, as cobranças acabam influenciando na saúde mental dos colaboradores. 

Por isso, é importante ficar atento aos sinais e qualquer indício de que algo não está fluindo bem, é preciso saber agir da forma correta. 

Então, pensando neste contexto, preparamos um conteúdo para te explicar o que é, quais são as causas e como evitar a Síndrome de Burnout. Vamos começar? 

O que é a Síndrome de Burnout? 

De forma resumida, a Síndrome de Burnout é a exaustão emocional de uma pessoa em seu ambiente de trabalho. Ou seja, é um estresse elevado devido a condições de trabalho desgastantes.

O distúrbio foi mencionado pela primeira vez em 1974 pelo psicanalista americano Herbert Freudenberger. 

Portanto, somente em 2021, ela entrou na CID-11, Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde e hoje, a OMS (Organização Mundial de Saúde), reconhece a síndrome de burnout como uma doença.

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Causas da Síndrome de Burnout? 

Em uma pesquisa realizada pelo Runrun.it, 1.500 pessoas foram entrevistadas e 61% delas afirmam que se sentem esgotadas no fim do dia. 

Além disso, na mesma pesquisa, 37% dos gestores informaram que se sentem sobrecarregados e 45% dos colaboradores disseram que passam pela mesma

situação. 

Mas, o que causa todo esse desgaste nos profissionais? 

Segundo uma pesquisa, realizada pela Gallup, as principais causas do Burnout são: 

  • injustiças no ambiente de trabalho; 
  • sobrecarga;
  • falta de comunicação dos líderes; 
  • falta de apoio da liderança;
  • muita pressão no trabalho.

Além dos motivos citados acima, a cobrança excessiva, relações conflituosas, trânsito intenso e muito contato com clientes, também são alguns exemplos que podem levar ao Burnout. 

Como identificar o Burnout? 

Durante a correria do dia, principalmente no trabalho, há situações que nos deixam estressados, não é mesmo? 

Assim, são nesses momentos que a inteligência emocional se torna uma grande aliada. Além disso, vale ressaltar que se estressar de forma esporádica é normal, mas até certo ponto. 

No entanto, quando esse estresse acontece excessivamente, pode ser um indício de burnout. Nesse cenário, uma liderança ou um RH despreparado, terão dificuldades em perceber os sinais da síndrome de burnout. 

Caso a empresa esteja aberta para se relacionar e criar um clima organizacional harmonioso, os líderes e os profissionais de RH precisam conhecer os sintomas e os estágios desse transtorno. 

Sintomas e sinais da Síndrome de Burnout 

Ainda que o estresse seja considerado algo comum no ambiente de trabalho, muitos não compreendem seus sinais e sintomas. Então, veja alguns comportamentos que podem indicar que algo não está indo nada bem: 

  • Muitas faltas e atrasos frequentes;
  • dificuldades para concentrar;
  • falta de memória;
  • alterações constantes de humor;
  • instabilidade emocional;
  • pensamentos pessimistas;
  • agressividade; 
  • isolamento social;
  • ansiedade e depressão;
  • baixa autoestima;
  • sintomas físicos: dores de cabeça ou enxaqueca, insônia, dores musculares, pressão alta, cansaço extremo e problemas gastrointestinais. 

Muitos acreditam que uma noite de descanso ou mesmo as férias podem aliviar esses sintomas. Mas, a Síndrome de Burnout no trabalho é uma condição constante que precisa de um acompanhamento médico. 

Os estágios da Síndrome de Burnout

  1. Necessidade de aprovação com frequência

    Nessa etapa, o colaborador sente a necessidade de mostrar que sabe fazer as coisas e precisa da aprovação das pessoas ao seu redor. 

    Assim, o profissional tenta, a todo o momento, provar que é capaz de realizar todas as suas atividades. Essas pessoas costumam ser ambiciosas e sofrer bastante quando não atingem os objetivos. 

    Além disso, ela pode gerar um acúmulo de responsabilidades, que é o segundo estágio do Burnout.

  2. Acúmulo de responsabilidades e dedicação exagerada ao trabalho

    Já nesta fase, o profissional não consegue se desligar das suas demandas, gerando assim, o acúmulo de trabalho.

    Assim, funcionários que tentam provar o seu valor a qualquer custo, tendem a extrapolar os horários se colocando à disposição sempre, mesmo que seja seu dia de folga.

    Ações como checar o e-mail à noite e trabalhar aos finais de semana são exemplos que podem prejudicar a saúde do colaborador.

    Além do esgotamento físico e mental, ações como essas devem despertar a atenção do RH e das demais lideranças, já que os colaboradores precisam cumprir os intervalos interjornada e intrajornada.

  3. Negação das necessidade sociais e pessoais

    Seguindo na mesma linha, como o colaborador coloca em primeiro lugar o seu trabalho, as necessidades básicas ficam em segundo plano. 

    Dessa forma, a alimentação, uma boa noite de sono e as atividades de lazer não são prioridades. Além disso, a autoestima do profissional é afetada, já que não sobra tempo suficiente para o descanso.

  4. Fuga dos conflitos

    Nesses casos, o funcionário percebe que há algo errado, mas prefere deixar de lado ao invés de enfrentar a situação. Assim, ele tende a fugir de conflitos e ignorá-los.

    Além disso, ele pode sentir medo de assumir que tem um problema para resolver, pois terá que enfrentar algum tipo de consequência ou preconceito, ou até mesmo o medo de não ter o apoio da empresa.  

    Geralmente, é nesse estágio que começam os sintomas físicos.

  5. Reavaliação dos valores

    Nesse estágio, o termômetro para avaliar a autoestima do colaborador é o seu trabalho. Assim, aquilo que antes tinha valor para o funcionário – seu lar, suas necessidades pessoais, lazer, entre outros – não tem mais tanta importância.

  6. Irritabilidade e negação

    Aqui, o colaborador se torna extremamente agressivo com as pessoas ao seu redor. Ele se torna intolerante, não aceita ordens e os demais profissionais são incompetentes e incapazes.

    É neste momento que o contato social se torna complicado e insustentável.

  7. Distanciamento social

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    Como consequência, a vida social neste ponto quase não existe. Normalmente, o colaborador não tem mais paciência para participar de reuniões, preferindo assim, o isolamento social. 

    Portanto, essa fase pode ser percebida na forma como o colaborador trata os demais colegas de trabalho, nas ausências em happy hours, entre outras atividades que envolvam interação.

  8. Mudanças perceptíveis de comportamento

    Mudanças drásticas no comportamento do colaborador também é uma das fases da Síndrome de Burnout. Assim, um funcionário que costumava falar bastante, se torna mais quieto e isolado; outro que era bem-humorado, já não se socializa.

  9. Despersonalização 

    Nessa etapa, o colaborador entra no que chamamos de “piloto automático”, ou seja, ele perde completamente a conexão consigo. Em outras palavras, ele não vê o seu próprio valor e nem de quem está ao redor. 

    Como consequência, o profissional evita diálogos e qualquer tipo de envolvimento com a sua equipe.

  10. Sentimento de vazio

    Nesta etapa, o esgotamento emocional já está em um estado avançado que até o trabalho se torna uma atividade sem sentido. O vazio é tão grande, que ele tem dificuldade de lidar com qualquer situação. 

    Normalmente, o profissional tenta preencher o vazio com hábitos nada saudáveis, como uso excessivo de álcool, drogas e até compulsão alimentar. 

  11. Depressão

    A tão temida doença do século chega nesta fase com todos os seus sintomas evidentes.

  12. Esgotamento ou burnout 

    Enfim, o estágio final, quando há um colapso físico, mental e emocional. Nessa etapa, o caso já é grave e o profissional precisa urgentemente buscar ajuda de um profissional para lidar com o Burnout. 

    Vale ressaltar que, parte das 12 etapas do burnout só podem ser percebidas pela própria pessoa. Por isso, é importante que a liderança e o RH fiquem atentos a qualquer evidência.

Como tratar a Síndrome de Burnout? 

A boa notícia é que a síndrome de burnout tem cura, portanto, é preciso consultar um profissional da saúde, como um psicólogo ou psiquiatra. Somente eles podem diagnosticar a Síndrome de Burnout e passar o tratamento correto. 

Dependendo do quão avançada a doença está, será preciso o uso de medicamentos para combatê-la. Porém, vale reforçar que somente os profissionais adequados poderão prescrever alguma medicação. 

Além disso, algumas atividades físicas podem ajudar no tratamento da Síndrome de Burnout. 

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Consequências da Síndrome de Burnout para a empresa

Como já vimos anteriormente, a Síndrome de Burnout não afeta somente a pessoa que está com a doença, mas toda a equipe. Além disso, ela afeta tanto o físico quanto o emocional da pessoa. 

Veja abaixo as consequências que a Síndrome de Burnout causa à empresa: 

Falhas nos processos

Com o avanço do esgotamento físico e mental, o colaborador acometido pela Síndrome de Burnout pode cometer falhas em suas atividades além do esperado. 

Assim, como o esgotamento afeta diretamente a relação do funcionário com os demais, incluindo a própria liderança, existem sérias consequências que atrapalham o trabalho em equipe

Queda da produtividade 

Não há dúvidas de que esse tipo de esgotamento influencia, negativamente, a produtividade do colaborador. Mesmo que, nos primeiros estágios, o profissional esteja empenhado em dar tudo de si, uma hora o seu rendimento será afetado. 

Ao evoluir, a Síndrome de Burnout afeta o raciocínio e a concentração do colaborador. Assim, o seu desempenho é abalado, influenciando diretamente os resultados da empresa.    

Clima organizacional ruim

Como as relações interpessoais são afetadas, o clima organizacional também sofre consequências, já que toda a equipe é influenciada. Além disso, lidar com as falhas constantes e a agressividade do colega, não são tarefas fáceis.

Todas essas situações prejudicam o clima organizacional da empresa, aumentando o estresse de todo o time. 

Aumento do turnover e do absenteísmo 

Quando o colaborador está desenvolvendo a Síndrome de Burnout, as taxas de turnover e de absenteísmo podem aumentar de forma considerável.

Além disso, os outros colaboradores podem perceber que algo não está bem com quem está com Burnout. Assim, caso a empresa não faça nada para auxiliar, eles entendem que a empresa não valoriza o colaborador.     

Como evitar a Síndrome de Burnout no ambiente de trabalho?

Existem algumas medidas que a empresa pode tomar a fim de evitar a Síndrome de Burnout no ambiente de trabalho. Veja abaixo quais são essas ações: 

Tenha uma boa comunicação interna

A comunicação é a base de qualquer relacionamento saudável. Assim, na empresa não seria diferente. O principal objetivo da comunicação interna é aprimorar a troca de informações entre todos os profissionais. 

Por isso, ter uma comunicação interna aberta e produtiva, é fundamental para o colaborador se sentir seguro. É uma via de mão dupla, pois os líderes precisam saber comunicar com seus liderados e vice-versa. 

A abertura para um diálogo aberto e sincero, pode evitar que a Síndrome de Burnout comece a se desenvolver. 

Aposte nos feedbacks

Os feedbacks são extremamente importantes para uma boa relação entre os colaboradores e os gestores. Através do feedback, toda a equipe se aproxima e muitos conflitos são evitados. 

Além disso, os líderes conseguem saber o que o seu colaborador pensa a respeito , da empresa e dos demais colegas. Essa ação é tão importante, que os gestores conseguem avaliar se tem algo acontecendo com o seu funcionário e tomar medidas para que esse problema não evolua. 

Faça avaliações frequentes e motive os colaboradores

A maioria dos trabalhadores passam a maior parte do tempo envolvidos com as atividades relacionadas ao trabalho. Diante disso, o ambiente de trabalho precisa ser agradável e ter um clima organizacional saudável. 

Com isso, o RH tem uma missão muito importante nesta área, a de realizar avaliações frequentes com o intuito de mensurar como está o clima na empresa. Vale ressaltar que um clima agradável traz resultados positivos tanto para a saúde física quanto mental dos colaboradores. 

Quer saber como os seus profissionais estão se saindo na empresa e se possui algum indício de Burnout? Que tal iniciar com o perfil comportamental de cada colaborador? Utiliza os KPI’s como aliado para te ajudar nessa missão. 

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